2 Samuel 15 Estudo: A Rebelião de Absalão

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Neste capítulo de 2 Samuel 15, veremos que Absalão prepara homens e carros para si e pelas manhãs parava à porta da cidade para ouvir os moradores das tribos de Israel. Sempre que alguém parava adiante dele, ele estendia a mão e o beijava.

Assim, as escrituras aduzem que Absalão furtou o coração dos israelitas. Passados quatro anos, Absalão pediu a Davi para ir a Hebrom, para cumprir um voto e o rei assim o concede. Absalão, então, mandou emissários por toda Israel, aduzindo que, quando ouvissem o som da trombeta, seria sinal de que ele havia se tornado rei de Hebrom.

Muitos homens foram com Absalão, de Jerusalém, porém, sem saber de seus planos. Aitofel, do conselho de Davi, de igual forma, vai junto. Davi, ao saber disso, decide fugir e todos os da sua casa o seguiram, bem como toda guarda real, os geteus e seiscentos homens de Gate.

É narrado que Davi manda que Itai ficasse, pois era recente sua chegada, porém, este decide segui-lo, com toda sua casa, incondicionalmente. Davi, ainda, mandou que Zadoque, Abiatar, seus filhos e os levitas ficassem em Jerusalém, a fim de que o servissem obtendo informações sobre o que se sucederia e assim o fazem, permanecendo, ainda, a Arca de Deus juntamente com eles.

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Davi e aqueles que o acompanhavam seguiam chorando, com as cabeças cobertas. Husai, amigo de Davi, também, vem a ele, porém, é mandado de volta, a fim de que, juntamente com os sacerdotes, ouvissem e transmitissem as informações que soubessem. Por fim, é relatado que Absalão entra em Jerusalém.

2 Samuel 15 estudo: Contexto histórico

No capítulo anterior vemos que Joabe, ao observar a inclinação de Davi a Absalão, decide contribuir para a reconciliação entre o rei e seu filho, pelo que manda que uma sábia tecoíta contasse determinada história a Davi, a fim de leva-lo a tomar sua decisão.



Obtendo êxito, o rei manda que Joabe trouxesse Absalão de volta, no entanto, ele não deveria comparecer na presença do rei. Passados dois anos, em Jerusalém, Absalão pede que Joabe rogasse junto ao rei, para que ele o recebesse em sua presença.

Davi, então, recebe ao filho. As escrituras, ainda, trouxeram a informação de que em toda terra não havia mais belo que Absalão.

(2 Samuel 15:1) Absalão inicia sua rebelião

v. 1 E sucedeu, depois disso, que Absalão preparou para si carruagens e cavalos, e cinquenta homens que corressem adiante dele. 

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 Ao adquirir carruagem, e cavalos, e cinquenta homens, Absalão deu passos para realçar sua posição aos olhos do povo.

(2 Samuel 15:2) Absalão a porta da cidade

v. 2 E Absalão se levantou cedo, e se pôs ao lado do caminho do portão; e assim foi que, quando qualquer homem que tinha uma controvérsia vinha até o rei para juízo, então Absalão o chamava, e dizia: De que cidade és tu? E ele dizia: O teu servo é de uma das tribos de Israel. 

Caminho do portão era o local das importantes transações comerciais da cidade.



(2 Samuel 15:3) A falta de julgamento em Israel

v. 3 E Absalão lhe dizia: Vê, as tuas questões são boas e retas; porém não  homem algum designado pelo rei para te ouvir.

 Absalão ouvia os pedidos que os cidadãos tencionavam levar ao rei. Ele se mostrava aparentemente simpático a eles em vista do fato de não haver homem algum designado pelo rei para ajudá-los com essas preocupações.

(2 Samuel 15:4) A estratégia de Absalão

v. 4 Absalão disse ainda: Ah se eu fosse feito juiz na terra, para que cada homem que tivesse qualquer processo ou causa pudesse vir até mim, e eu lhe faria justiça! 

Absalão usava a palavra juiz, mas ele pretendia que o povo pensasse nele como “rei”. Ele insistia que faria justiça melhor do que seu sobrecarregado pai Davi.

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(2 Samuel 15:5-6) A disposição de Absalão

v. 5 E assim foi que, quando qualquer homem dele se aproximava para lhe prestar reverência, ele estendia a sua mão, pegava-o e o beijava. 

v. 6 E deste modo fazia Absalão a todo o Israel que vinha até o rei para juízo; assim Absalão roubou os corações dos homens de Israel. 


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Absalão impedia que as pessoas se prostrassem diante dele, e os saudava com um beijo (quase como iguais).

Isso o levou a conquistar os corações dos homens de Israel, e muitos deles começaram a acreditar que  Absalão entendia melhor do que Davi os seus problemas.

(2 Samuel 15:7) Absalão mente para ir a Hebrom

v. 7 E sucedeu que, depois de quarenta anos, Absalão disse ao rei: Rogo-te, deixa-me ir pagar o meu voto, o qual votei ao SENHOR, em Hebrom. 

 Alguns manuscritos trazem “quarenta anos” ao invés de quarenta anos, enquanto outros trazem “quarenta dias”.

(2 Samuel 15:8) Absalão alega ter realizado um voto

v. 8 Porque o teu servo votou um voto enquanto eu permaneci em Gesur, na Síria, dizendo: Se o SENHOR me trouxer de volta a Jerusalém, então servirei o SENHOR. 

A lei insistia no pronto cumprimento de um voto (Dt 23:21), de modo que a passagem de quatro anos desde o voto de Absalão (2Sm 15:7) poderia ter levantado dúvidas  na mente de Davi.

Por outro lado, Hebrom, localizada a 30 quilômetros ao sul de Jerusalém, era a cidade natal de Absalão.

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(2 Samuel 15:10) Os espias de Absalão

v. 10 Absalão, no entanto, enviou espiões a todas as tribos de Israel, dizendo: Tão logo ouvirdes o som da trombeta, direis: Absalão reina em Hebrom. 

O som da trombeta pelo país afora, combinado com os brados dos mensageiros de Absalão a proclamar  Absalão reina em Hebrom, fariam com que a notícia de ele estar assumindo o trono se espalhasse rapidamente.

Absalão provavelmente esperava poder chegar a Jerusalém e tomar o poder antes que Davi pudesse preparar-se para se defender.

(2 Samuel 15:12) Aitofel

v. 12 E Absalão enviou a Aitofel, o gilonita, o conselheiro de Davi, da sua cidade de Giló, enquanto ele oferecia sacrifícios. E a conspiração foi forte; porque o povo aumentava continuamente com Absalão.

Aitofel, conselheiro de Davi, era um dos homens mais sábios do rei, dando ainda mais força à conspiração de Absalão.

(2 Samuel 15:14) Davi foge

v. 14 E Davi disse a todos os seus servos que estavam com ele em Jerusalém: Levantai-vos e fujamos; pois, de outra sorte, não escaparemos de Absalão; apressai-vos para partir, para que ele não nos alcance subitamente, e traga o mal sobre nós, e fira a cidade com o fio da espada. 

 Davi convocou os seus servos que estavam com ele em Jerusalém e insistiu que todos fugissem imediatamente.

Ele sabia que Absalão e suas forças viriam direto para a capital e a atacariam se necessário.

(2 Samuel 15:17) Davi organiza a fuga

v. 17 E o rei se foi, e após ele todo o povo, e esperou em um local afastado.

Davi e seus oficiais esperaram em um local afastado (talvez uma casa na periferia de Jerusalém), provavelmente para organizarem sua fuga na direção leste.

(2 Samuel 15:18) Os que acompanharam a Davi

v. 18 E todos os seus servos passaram adiante dele; e todos os quereteus, e todos os peleteus e todos os geteus, seiscentos homens, os quais vieram atrás dele desde Gate, passaram adiante do rei.

Sobre os queretes e os peleteus, ver nota 2Sm 8:18. A influência de Davi entre os filisteus tinha lhe granjeado a lealdade de seiscentos homens desde Gate.

(2 Samuel 15:19) Itai

v. 19 Então disse o rei a Itai, o geteu: Por que tu vais também conosco? Retorna ao teu lugar, e permanece com o rei; porque tu és um estrangeiro, e também um exilado.

 Itai, o geteu era um exilado da filistia que decidiram se juntar a Davi, talvez na época em que Davi fugia de Saul (1Sm 18:31).

(2 Samuel 15:21) A lealdade de Itai

v. 21 E Itai respondeu ao rei, e disse: Como o SENHOR vive, e como o meu senhor, o rei, vive, certamente no lugar em que o senhor, o rei, estiver, seja na morte ou vida, ali também estará o teu servo. 

Davi desobriga Itai de acompanhá-lo, mas o giteu jurou pelo Senhor e pelo rei que estaria com Davi, quer para ele isso significasse morte ou vida. A integridade de Davi ainda angariava respeito.

(2 Samuel 15:23) Davi e o povo lamentam

v. 23 E toda a terra chorou com voz alta, e todo o povo atravessou; o rei também atravessou o ribeiro de Cedrom, e todo o povo atravessou, em direção ao caminho do deserto. 

O Ribeiro de Cedrom margeava o lado oriental de Jerusalém, separando a cidade do monte das Oliveiras.

Depois que Davi e seus companheiros atingiram o topo, eles poderiam seguir em direção ao caminho do deserto, muito provavelmente a subida de Adumim que ligava Jerusalém a Jericó no vale do Jordão.

(2 Samuel 15:24) Os sacerdotes

v. 24 E eis que também Zadoque, e todos os levitas estavam com ele, carregando a arca do pacto de Deus; e eles assentaram a arca de Deus; e Abiatar subiu, até que todo o povo terminou de sair da cidade. 

A arca do pacto de Deus provavelmente foi trazida para garantir a presença de Deus como sinal do direito legítimo que Davi tinha de exercer o reinado.

Zadoque e Abiatar (ver nota em 2Sm 8:17) ficaram com o rei que endossara o respectivo ministério deles e o ministério dos levitas (2sm 6:12-18).

(2 Samuel 15:25-26) Davi manda os levitas voltarem

v. 25 E o rei disse a Zadoque: Carrega de novo a arca de Deus para dentro da cidade; se eu achar favor aos olhos do SENHOR, ele me trará de novo, e me mostrará tanto ela, quanto a sua habitação; 

v. 26 mas se ele assim disser: Não tenho em ti deleite algum; eis que aqui estou, que ele faça comigo como bem lhe parecer. 

 Davi decidiu que a arca de Deus pertence propriamente a Jerusalém, a cidade de Deus. Ela deveria ficar ali, e cabia a Deus restaurar ou não o trono de Davi em Jerusalém. O rei se contentou em deixar a questão nas mãos do Senhor.

(2 Samuel 15:27) Os espiões de Davi

v. 27 O rei disse também a Zadoque, o sacerdote: Não és tu um vidente? Retorna à cidade em paz, e convosco os vossos dois filhos, Aimaás, o teu filho e Jônatas, o filho de Abiatar.

 Davi criou uma rede de espionagem que incluía Zadoque, Abiatar e seus respectivos filhos, Aimaas Jônatas.

(2 Samuel 15:28) Os vaus do deserto

v. 28 Vê que esperarei na planície do deserto, até que ali chegue palavra vinda de ti para me certificar. 

Os vaus do deserto eram lugares rasos onde o rio Jordão podia ser atravessado. A BKJ 1611 adota uma leitura variante e a traduz como planície.

(2 Samuel 15:29) A estratégia de Davi

v. 29 Portanto, Zadoque e Abiatar carregaram a arca de Deus de volta a Jerusalém; e eles esperaram ali. 

Absalão provavelmente admitiria que os apoiadores de Davi tinham fugido. Ele pode não ter suspeitado que Zadoque e Abiatar haviam tomado o partido de seu pai.

(2 Samuel 15:30) Davi e o povo cobrem a cabeça

v. 30 E Davi subiu pela subida do Monte das Oliveiras, e chorava enquanto subia, e tinha a cabeça coberta, e seguia de pés descalços; e todo o povo que estava com ele cobria, cada qual, a sua cabeça, e subiam, chorando enquanto subiam. 

Cobrir a cabeça e caminhar com os pés descalços eram sinais de profunda angústia pessoal.

(2 Samuel 15:31) A notícia sobre Aitofel

v. 31 E contaram a Davi, dizendo: Aitofel está entre os conspiradores de Absalão. E Davi disse: Ó SENHOR, rogo-te, torna em loucura o conselho de Aitofel. 

A notícia de que Aitofel tinha se juntado aos conspiradores de Absalão foi um golpe no partido de Davi.

A oração do rei para que o Eterno transformasse em loucura o conselho de Aitofel foi uma oração de grande fé, porque o conselho desse sábio era considerado como palavra procedente de Deus (2Sm 16:23).

(2 Samuel 15:32) Husai

v. 32 E sucedeu que, quando Davi chegou ao topo do monte, onde ele adorava a Deus, eis que Husai, o arquita, veio encontrá-lo com as suas vestes rasgadas, e terra sobre a sua cabeça; 

 Husai acabaria sendo resposta à oração de Davi (v. 31).

(2 Samuel 15:34-35) Husai designado para frustrar Aitofel

v. 34 mas, se retornares à cidade, e disseres a Absalão, serei teu servo, ó rei; como eu fui servo do teu pai até aqui, assim serei, agora, também teu servo; então poderás derrotar o conselho de Aitofel para mim. 

v. 35 E não tens tu aí contigo Zadoque e Abiatar, os sacerdotes? Portanto será que qualquer coisa que ouvires da casa do rei, tu a contarás a Zadoque e a Abiatar, os sacerdotes.

 O papel de Husai era frustrar o conselho de Aitofel (tarefa nada fácil à luz de 2Sm 16:23) e informar a Zadoque e Abiatar de tudo o que souber.

(2 Samuel 15:36) Aimaás e Jônatas

v. 36 Eis que eles têm ali com eles os seus dois filhos, Aimaás, filho de Zadoque, e Jônatas, filho de Abiatar; e por eles vós enviareis a mim tudo o que puderes ouvir. 

 Aimaás e Jônatas transmitiriam então diretamente a Davi qualquer informação que recebessem de seus pais.

(2 Samuel 15:37) Absalão entra em Jerusalém

v. 37 Assim, Husai, o amigo de Davi, entrou na cidade, e Absalão entrou em Jerusalém.

 Husai a Absalão chegaram ao mesmo tempo a Jerusalém. O momento decisivo em que Absalão teria de escolher entre o conselho de Husai e o de Aitofel é protelado por 2Sm 16:1-14 e retomado em 2Sm 16:15.

Conclusão

Neste momento, vemos um desenrolar conflituoso do relacionamento de Davi com Absalão, o que nos leva a presumir que as pendências dos acontecimentos passados não tivessem sido tratadas.

Absalão planeja uma rebelião. Apesar de ser o filho mais velho e, portanto, o próximo a suceder ao trono, ele deveria ter razões para temer e desconfiar de que isso não aconteceria, talvez porque a reconciliação, narrada no capítulo anterior, tenha ocorrido forçosamente, após Davi persegui-lo e, ainda, não o ter aceito em sua presença.

Chama atenção o momento em que as escrituras relatam que Absalão se colocava a porta da cidade e, ali, interceptava os israelitas que possuíam causas a serem julgadas. O texto revela uma certa complacência no desempenho desta função por Davi.

Deste modo, Absalão, por quatro anos, se dispunha a ouvir os israelitas e estender-lhes a mão, o que nos leva a questionar como o rei permitiu que isso ocorresse sem haver qualquer menção de sua interferência.

Ao constatarmos que Davi se omitia, novamente, agora como rei, ele permitiu que, por um longo período, seu filho agisse de maneira a furtar o coração de seu povo.

Conforme aduzimos, anteriormente, o lugar de atenção fora negligenciado e, agora, os ouvidos e corações dos israelitas estavam inclinados para aquele que o havia ocupado.

A negligência de Davi, quem sabe em decorrência de todos os conflitos emocionais e espirituais que estaria vivendo, dados os seus erros passados, agora, lhe traria mais problemas e lhe faria amargar o juízo prenunciado pelo profeta Natã.

2 Samuel 15 estudo.

Sobre o Autor

Olá, me chamo Lázaro Correia, sou Cristão, formado em Teologia e apaixonado pela Bíblia. Aqui no Blog você vai encontrar diversos estudos Bíblicos e muito conteúdo sobre vida Cristã.

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